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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Aprendendo a aprender



O estilo de aprender de cada criança é um traço pessoal que a escola e a família precisam identificar e estimular...

Para a psicopedagoga Birgit Mobus, a criança precisa de rotina, repetição e ritmo para aprender

Imagine que você precisa aprender algo completamente novo. Se não aprender, não segue adiante. Pode ser um procedimento de gestão recém-adotado em sua empresa, as novas regras ortográficas da língua portuguesa ou até mesmo a utilização de um software vital em sua área de atuação. Sem pensar, você começará a repetir em voz alta o que está lendo, pegará um lápis para fazer resumos, montará fichas ou simplesmente ficará procurando um ponto de partida. Estará assim pondo automaticamente em ação algo que descobriu sozinha ou com a ajuda de alguém ainda na infância: a sua estratégia para aprender. Pois é isso que seu filho, justamente agora, está começando a desenvolver, e ele pode precisar de uma mãozinha - muito importante para o futuro. Existem, sim, estratégias para aprender a aprender, e são cada vez mais valorizadas na educação contemporânea, especialmente durante o ensino fundamental, quando se estabelecem as bases de procedimentos internos que acompanharão o indivíduo por toda a vida.

A revista CLAUDIA ouviu especialistas para descobrir como os pais podem ajudar a consolidar essas práticas, seja cobrando da escola atenção a essa questão, seja colaborando em casa e participando do desenvolvimento da vida escolar dos filhos.


Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Cada um aprende de um jeito
"Assim como temos preferência por um tipo de roupa, comida ou filme, temos também um estilo próprio e pessoal na hora de aprender", compara Evelise Portilho, pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba, que se doutorou pela Universidade Complutense de Madri justamente avaliando estilos de aprendizagem. São quatro, segundo ela: ativo, reflexivo, teórico ou pragmático.

-O ativo caracteriza as pessoas que gostam de aprender sempre coisas novas, ter diferentes experiências e oportunidades, competir em equipe, resolver problemas.
-O reflexivo aplica-se aos que absorvem conhecimentos observando e refletindo sobre as atividades antes de agir.
-Os teóricos sentem-se estimulados quando podem questionar e participar de situações complexas e estruturadas.
-Os pragmáticos aprendem melhor quando conseguem entender que uso farão daquele conhecimento no dia-a-dia, assistindo a filmes de demonstração, por exemplo.

Para Evelise, a questão não é identificar e seguir um caminho apenas, mas estar consciente das próprias características e procurar ampliar paulatinamente as estratégias.

A escola tem papel central nesse processo. Em primeiro lugar, porque uma das características de um processo pedagógico rico é a utilização de múltiplas rotas para a Educação. Aulas expositivas não são, nem de longe, a única forma de ensinar. Alguns exemplos de diferentes propostas didáticas: pesquisas de campo, experiências científicas, uso de jogos, recursos tecnológicos ou de diferentes mídias para apresentar os conteúdos, leituras, produção coletiva, debates, seminários e projetos em que o aluno seja o protagonista. O papel dos pais, aqui, é cobrar diversidade por parte da escola: que haja estratégias para todos os gostos e todos os estilos de aprender.
2. Cada um aprende num ritmo
A psicopedagoga Birgit Mobus, da Escola Suíço-Brasileira, em São Paulo, chama a atenção para a importância da rotina, da repetição e do ritmo. Rotina e repetição têm a ver com hábitos como o de estudar mesmo quando não há nenhuma avaliação à vista. "Estudar apenas na véspera da prova torna a pessoa vulnerável ao stress, com o risco de dar branco, e faz com que a matéria tenda a ser esquecida rapidamente", diz. Por isso, Birgit sugere que se estabeleça uma rotina de revisão semanal da matéria apresentada, fazendo a releitura, marcação e sinalização dos tópicos mais relevantes. Essa atitude tem revelado bons resultados, especialmente para os alunos da segunda etapa do ensino fundamental. Para os menores, a participação de um adulto colaborando na criação e manutenção da rotina é muito importante, pois ainda têm pouca autonomia. Birgit também sugere o estabelecimento de um ritmo que ela compara ao da respiração - a inspiração, absorvendo os conhecimentos, e a expiração, expressando-os. Na prática, essa estratégia propõe que o aluno se habitue a fazer pausas para assimilar e expressar o que aprendeu, verbalmente ou por outros caminhos.
3. Cada um tem a pausa que merece
Aluno estudioso é aquele que passa horas debruçado sobre um livro? Não é bem assim. Para os educadores, períodos prolongados de estudo em ambientes fechados são pouco produtivos. "Sair do quarto, dar uma volta, brincar do lado de fora. Tudo isso ajuda a recarregar as baterias", afirma Birgit Mobus. Mas mesmo as pausas devem ser combinadas com os pais e ter regras mais ou menos flexíveis, que evitam o recorrente desgaste de cobrar os filhos diariamente na hora de estudar. Os pais também devem buscar o equilíbrio ao montar a agenda das crianças, pois nem sempre costumam prever o tempo de estudo em casa. "Muitos alunos, atualmente, participam de vários cursos extras, tais como inglês e esportes, e só lhes sobra a noite, momento em que já estão muito cansados", lembra Francisco Eduardo de Aguirra, diretor do Colégio I.L. Peretz, em São Paulo.
4. Todo mundo precisa de organização
Para Sandra Regina Giannoccaro, orientadora educacional do Colégio Nossa Senhora de Sion, em São Paulo, é fundamental que as crianças e os adolescentes compreendam a importância e a necessidade de ser bem organizados. Aprender a utilizar a agenda, saber elaborar um bom resumo ou esquema e identificar as ideias centrais de um texto são questões básicas de organização que se impõem a qualquer aluno. Vera Laurenti Bianchini, coordenadora pedagógica das escolas de idiomas Fisk, em São Paulo, lembra que até mesmo procedimentos simples, como arrumar a própria mochila, induzem o aluno a recuperar anotações e tornar seu material de estudo acessível. Vera recomenda também montar um plano de estudo. Não basta sentar, abrir o livro e começar a ler: é preciso saber o que se vai estudar, como e até que ponto - ou seja, com um planejamento que busque aproveitar melhor o tempo. "Todos nós já tivemos situações escolares nas quais gastamos horas estudando sem alcançar o resultado que julgamos merecido", lembra. "Quanto mais cedo um aluno aprender a se organizar nos estudos, mais rapidamente os resultados positivos aparecerão."
5. Todo mundo precisa exercitar o cérebro
Pode parecer óbvio, mas não é: um ponto fundamental para a formação de estratégias de aprendizagem é... pensar! Exercitar a memória e valorizar o raciocínio abstrato, como ao fazer uma conta de cabeça, são hábitos imprescindíveis para quem precisará aprender ao longo de toda a vida. O estudo mecânico, que não estimula o uso do raciocínio, pode levar à famosa "bitola", ou seja, aprender sem compreender. A memorização é um terreno pantanoso na educação contemporânea. Embora muitas vezes justamente condenada na pedagogia como forma de aprendizagem, não se deve confundir: uma coisa é memorizar conceitos em vez de aprendê-los, substituindo o raciocínio pela decoreba; outra bem diferente é deixar de exercitar a memória como um recurso cognitivo de grande valor - imprescindível para recitar de improviso uma poesia, executar uma partitura ou resolver uma equação matemática. Por isso, acompanhe o trabalho da escola e questione se os professores estimulam as habilidades cognitivas. Em casa, enriqueça o lazer das crianças com exercícios como palavras cruzadas, jogos da memória e de raciocínio.
6. Todo pai deve participar sem sufocar

Claudia

27/05/2009 18:29

Texto
Paulo de Camargo

Foto: Getty Images

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